Mandato Coletivo 1313

Blog do coletivo do mandato do dep. fed. Dr. Rosinha (PT-PR)

Dilma Rousseff e a resposta que demoliu o senador Agripino Maia (DEM-RN)

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Abaixo, a transcrição da resposta de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo Lula, ao senador José Agripino Maia* (DEM-RN), em audiência realizada em 7 de maio de 2008 pela Comissão de Infraestrutura do Senado.

[*] Vale observar que Agripino Maia foi prefeito biônico de Natal durante a ditadura militar, de 1979 a 1982.

DILMA ROUSSEFF: “Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.
Eu tinha 19 anos, fiquei três anos na cadeia e fui barbaramente torturada, senador. E qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para os seus interrogadores, compromete a vida dos seus iguais e entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido senador, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade, diante da tortura, quem tem coragem, dignidade, fala mentira. E isso (aplausos) e isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, que eu tenho imenso orgulho, e eu não estou falando de heróis. Feliz do povo que não tem heróis desse tipo, senador, porque agüentar a tortura é algo dificílimo, porque todos nós somos muito frágeis, todos nós. Nós somos humanos, temos dor, e a sedução, a tentação de falar o que ocorreu e dizer a verdade é muito grande senador, a dor é insuportável, o senhor não imagina quanto é insuportável. Então, eu me orgulho de ter mentido, eu me orgulho imensamente de ter mentido, porque eu salvei companheiros, da mesma tortura e da morte. Não tenho nenhum compromisso com a ditadura em termos de dizer a verdade. Eu estava num campo e eles estavam noutro e o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. E esse país, que transitou por tudo isso que transitou, que construiu a democracia, que permite que hoje eu esteja aqui, que permite que eu fale com os senhores, não tem a menor similaridade, esse diálogo aqui é o diálogo democrático. A oposição pode me fazer perguntas, eu vou poder responder, nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais.
Nós não estamos num diálogo entre o meu pescoço e a forca, senador. Eu estou aqui num diálogo democrático, civilizado, e por isso eu acredito e respeito esse momento. Por isso, todas as vezeseu já vim aqui nessa comissão antes. Então, eu começo a minha fala dizendo isso, porque isso é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil. Vou repetir mais uma vez:
Não há espaço para a verdade, e é isso que mata na ditadura. O que mata na ditadura é que não há espaço para a verdade porque não há espaço para a vida, senador. Porque algumas verdades, até as mais banais, podem conduzir a morte. É só errarem a mão no seu interrogatório.
E eu acredito, senador, que nós estávamos em momentos diversos da nossa vida em 70.
Eu asseguro pro senhor, eu tinha entre 19 e 21 anos e, de fato, eu combati a ditadura militar, e disso eu tenho imenso orgulho.”

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Written by Fernando César Oliveira

24/04/2010 at 23:51

Publicado em Vídeos

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4 Respostas

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  1. Um depoimento emocionante. Sincero e profundo. Na coragem está o Amor, só quem ama encontra a coragem. Ela amava uma causa. E isso, e só isso, é suficiente para que Ela, Dilma Rousseff, seja respeitada por todos nós.

    Paulo Costa

    25/04/2010 at 10:24

    • Sinto muitíssimo por qualquer tortura que a Dilma tenha passado, mas tenho que dizer que MUITAS pessoas combateram a ditatura e foram torturadas tanto quanto, ou até mais do que ela e nem por isso roubaram e jogaram bomba nos quarteis onde haviam jovens q eram obrigados a servir quando solicitados!
      Combateram de forma diferente e moral!
      Uma pessoa que diz que Estados Unidos e Europa alcaçaram suas economias de primeiro mundo desmatando,eñtão preservar não é importante é uma pessoa totalmente sem escrupulos para governar uma pais!

      fabiana

      21/09/2010 at 20:25

  2. Engraçado!?…

    Quando se trata de VERDADES os “urubus de plantão” não aparecem para comentar, né?…

    ione andrade - Brasilia/DF

    09/09/2010 at 08:48

  3. Eu vi esse depoimento. E eu me emocionei e senti orgulhosa dessa “terrorista”. Realmente não era fácil, não era simples ser “terrorista” nos anos 70. Não era qualquer um que tinha fibra pra aguentar o tranco, pra abdicar de vida pessoal, pra viver se escondendo, fugindo, pra ser preso, torturado, e pra segurar a onda de saber que poderia ser morto a qualquer numa cela de tortura, e nunca ver ver os seus, e saber que talvez nem sequer seu corpo os parentes poderia reclamar para sepaultar…
    As ações empreendidas pela esquerda mais radical podem ser vistas hoje de várias formas… Por que o distanciamento provocado pelo tempo esfria ou altera as esmoções, possibilita releituras dos fatos…
    Os crimes cometidos pela sditaduras podem ser esquecidos… As mentiras ditas sob condições extremas podem ser usadas contra o “mentiroso”…
    É… Às vezes “verdades” podem ser odiosas e vergonhosas; e “mentiras” podem ser motivo de orgulho e encaradas como atos de heroísmo…

    Mara Lacerda

    11/09/2010 at 21:40


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