Mandato Coletivo 1313

Blog do coletivo do mandato do dep. fed. Dr. Rosinha (PT-PR)

Modesta opinião sobre o diploma de jornalista

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DR. ROSINHA*

Nesta quinta-feira (17) completa-se um ano de uma decisão equivocada do STF, que atendeu ao lobby das empresas de mídia

Fui convidado pelos alunos do curso de jornalismo da PUC do Paraná para ser o patrono da turma. Com este convite, me senti mais homenageado do que a própria homenagem que seria prestada aos formandos, na última sexta-feira (11).

Preparei um discurso, que ainda não fiz. Por um problema cujos detalhes desconheço, e que espero que não seja eu, a formatura foi adiada.

O discurso não seria longo. Começaria dizendo que nesta quinta-feira (17) completa-se um ano de uma equivocada decisão do Supremo Tribunal Federal, que decretou o fim da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão.

Com o voto do relator Gilmar Mendes e de mais sete de seus ministros, o STF atendeu, na minha modesta opinião, ao lobby das empresas de mídia.

Logo após a decisão do STF sobre o diploma, algumas empresas começaram a oferecer cursos-relâmpago de jornalismo, um deles, a distância, a um custo de 40 reais. Uma prefeitura do interior da Paraíba chegou a publicar um edital para contratar jornalista. No edital, exigia apenas o Ensino Médio e oferecia um salário mínimo.

Tanto num caso como no outro, trata-se de um rebaixamento profissional. A quem interessa esse rebaixamento? A quem interessa o fim da exigência do diploma de jornalista? À sociedade brasileira é que não interessa.

O diploma de jornalismo nunca foi obstáculo à liberdade de expressão ou à liberdade de imprensa. Se forem de qualidade, os cursos de jornalismo representam a formação de, no mínimo, bons redatores e repórteres, com um mínimo de noção de ética, moral, história, teoria da comunicação e das técnicas próprias da prática jornalística.

Obstáculo real à liberdade de expressão e de imprensa é, na verdade, o monopólio, a concentração da propriedade dos meios nas mãos de poucos grupos ou famílias. Esse verdadeiro cartel familiar, sim, é um problema a ser superado pela população brasileira.

Há outros problemas a serem superados. Entre eles, não posso deixar de citar a compra e venda de horários nas grades das emissoras de TV e rádio. Alguns empresários vendem (ou “alugam”) horários para entidades ou pessoas físicas, parte delas totalmente despreparadas para trabalhar em comunicação. Às vezes, são tão despreparados que não suportam uma mínima crítica.

Lembro o caso recente do estudante Lucas Nobuo Waricoda, 20 anos. Ele cursa o segundo ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e foi ameaçado no ar por um apresentador de programa policial, Zeca (José Carlos Stachowiak), da TV Vila Velha, um canal de TV a cabo de Ponta Grossa.

O curso de jornalismo da UEPG mantém um blog (“Crítica de Ponta”), que funciona como laboratório da disciplina “Critica da Mídia”. Neste blog – e como matéria do curso – Lucas criticou o conteúdo do programa apresentado por Zeca.

O apresentador não gostou, e reagiu assim, grotescamente:

“[…] Vocês jornalistas que acham que são Deus, nunca fizeram porcaria nenhuma por este país….vocês não fazem bosta nenhuma por este país… E a mamãe como é que tá e o chifre do papai, tá sendo bem polidinho? Então comece a polir… Safado, filho de mãe solteira! Isto aqui você vai engolir… posso fazer engolir o computador, normalmente a gente faz engolir papel e pra mim te achar, a partir de amanhã …programa policial já existia antes de a mãe dele sair com o vizinho…você arranjou o pior inimigo agora, eu arrebento com você agora…e eu vou te pegar![…]”

Reação desproporcional, criminosa. Na época, o Ministério Público instaurou inquérito e Lucas registrou boletim de ocorrência. Espera-se justiça. Dúvida: irá a UEPG defender seu aluno e seu curso?

Tempos atrás, ouvi, na Rádio Educativa do Paraná, um de seus locutores, creio que o Silvio de Tarso, afirmando que começou a trabalhar na emissora depois de fazer um concurso público. Não sei que tipo de questões são colocadas em concursos para a seleção de apresentadores para a rádio e TV.

O mínimo seria exigir a formação universitária específica. Valorizar essa formação interessa à sociedade porque contribui com a qualidade do jornalismo praticado no país.

Só o inicio deste artigo é parte do discurso que ainda espero fazer. Da metade para o fim, acabei por adicionar outras ideias. E espero não ser ameaçado, como foi o estudante de jornalismo da UEPG.

*Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e membro da Comissão Especial que analisa a PEC dos Jornalistas.
drrosinha.com.br | twitter.com/DrRosinha

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Written by Fernando César Oliveira

17/06/2010 às 10:53

Publicado em Artigos, Educação

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